Processos de eletrização

Eletrizar um corpo eletricamente neutro é tornar diferente o número de cargas positivas do número de cargas negativas. Isso só é possível acrescentando ou retirando elétrons do corpo, tendo em vista que as cargas positivas, das quais os prótons são os portadores, encontram-se no núcleo dos átomos sendo impossível movimentá-las. São três as maneiras pelas quais é possível eletrizar um corpo eletricamente neutro:

  • por atrito
  • por contato
  • por indução

2. Eletrização por Atrito

Ao atritarmos dois corpos de substâncias diferentes, inicialmente neutros, haverá a transferência de elétrons de um para o outro, de modo que um estará cedendo elétrons, ficando eletrizado positivamente, ao passo que o outro estará recebendo elétrons ficando eletrizado negativamente.

A eletrização por atrito é mais intensa entre corpos isolantes do que entre condutores, pois nos isolantes as cargas elétricas em excesso permanecem na região atritada, ao passo que nos condutores, além de se espalharem por todo ele, há uma perda de carga para o ambiente.

Vejamos uma experiência fácil de ser feita. Materiais, inicialmente, eletricamente neutros:

  • tubo de vidro (tubo de ensaio, por exemplo)
  • pedaço de lã

Procedimento: Esfrega-se vigorosamente o pedaço de lã no tubo de vidro, tomando o cuidado de fazê-lo sempre na mesma região.

Em seguida, separamos os dois e notamos que há, entre eles uma força de atração:

Isso se deve ao fato de a lã ter retirado elétrons do tubo de vidro, tornando-o eletrizado positivamente, enquanto ela eletrizou-se negativamente. Repetindo a experiência só que atritando um pedaço de lã com um pedaço de seda, notamos que a seda retira elétrons da lã, o que nos permite concluir que dependendo do material com o qual será atritada, a lã pode adquirir carga positiva ou negativa. Tal fato levou à elaboração de uma tabela denominada série triboelétrica, na qual a substância que se lê primeiro adquire carga positiva e a seguinte carga negativa.

Finalizando – Sempre que atritamos dois corpos de substâncias diferentes surgem, na região atritada, cargas elétricas de sinais opostos. – Tal fato é mais facilmente observável entre isolantes. – Na série triboelétrica, a substância que se lê primeiro eletriza-se positivamente.

3. Eletrização por Contato

Algumas vezes tomamos choque ao tocarmos a maçaneta da porta de um automóvel, ou um móvel de aço no qual não há nenhum tipo de instalação elétrica que pudesse justificá-lo. Esse fenômeno está relacionado com o processo de eletrização por contato. Consideremos uma esfera de metal eletrizada negativamente (esfera A) e uma outra esfera de metal eletricamente neutra (esfera B), como na figura abaixo.

Como o condutor A está eletrizado negativamente, todos os seus pontos estão com o mesmo potencial elétrico negativo ao passo que o condutor B tem potencial elétrico nulo, pois está eletricamente neutro.

Ao estabelecermos o contato entre ambos através de um fio condutor, haverá passagem de cargas elétricas (elétrons livres) num único sentido (corrente elétrica) pelo fio, pois uma de suas pontas estará com o potencial elétrico negativo de A e a outra com o potencial nulo, ou seja, haverá uma diferença de potencial elétrico (ddp) nos terminais do fio.

Os elétrons irão, espontaneamente, do menor potencial elétrico (negativo) para o maior potencial elétrico (nulo), ou seja, do condutor A para o condutor B.

A cada elétron que A perde, seu potencial elétrico aumenta. O condutor B, por sua vez, a cada elétron que ganha, tem seu potencial elétrico diminuído. Essa troca de elétrons continuará acontecendo enquanto houver diferença de potencial elétrico nos terminais do fio, isto é, enquanto os potenciais elétricos de A e B forem diferentes. Quando os potenciais elétricos se igualarem, dizemos que se atingiu o equilíbrio eletrostático e o condutor B, que antes estava neutro, agora está eletrizado, cessando a troca de elétrons. Como os potenciais elétricos finais são iguais, os dois condutores terão cargas elétricas de mesmo sinal e se forem esféricos, essas cargas serão diretamente proporcionais aos respectivos raios.

Caso os condutores tenham mesmas dimensões, suas cargas elétricas finais serão iguais.

Importante – Como só há troca de cargas elétricas entre os dois condutores, temos um sistema eletricamente isolado e dessa forma podemos aplicar o princípio da conservação das cargas elétricas.

Repetindo o processo com o condutor A eletrizado positivamente e B neutro.

Os elétrons livres irão, espontaneamente, do menor potencial elétrico (potencial de B = nulo) para o maior potencial elétrico (potencial de A = positivo).

Tudo se passa como se as cargas positivas tivessem migrado de A para B. Como o número de cargas positivas de A diminui, seu potencial elétrico também e como B passa a ter cargas positivas em excesso, seu potencial elétrico aumentará até que ambos se igualem. Atingido o equilíbrio eletrostático, as cargas finais de A e B terão mesmo sinal, pois seus potenciais elétricos serão iguais.

1. Eletrização por Indução

Podemos dividir esse processo em duas fases:

  • fase de indução eletrostática
  • fase de eletrização

A primeira fase de indução eletrostática, caracteriza-se pela separação de cargas positivas e negativas de um condutor provocada por outro condutor nas proximidades.

Para um condutor A, eletrizado positivamente, o potencial elétrico varia conforme o gráfico abaixo.

Se colocarmos um outro condutor B, inicialmente eletricamente neutro, entre os pontos X e Y, haverá movimento ordenado de cargas elétricas (corrente elétrica) no mesmo, pois entre dois de seus pontos há uma diferença de potencial (ddp). Essa corrente elétrica é formada somente por elétrons livres que irão, em movimento espontâneo, do ponto Y de menor potencial elétrico para o ponto X de maior potencial elétrico. Com a chegada de elétrons livres à região X, o potencial elétrico do ponto X diminui. Já na região de Y, as cargas elétricas dos átomos, que ali permanecem e que perderam elétrons livres (cátions), elevam o potencial elétrico de Y. Esse fenômeno ocorre até que os novos potenciais elétricos V’x e V’y dos pontos X e Y se igualem, atingindo o equilíbrio eletrostático.

Como o condutor B não recebeu nem cedeu elétrons, ele continua eletricamente neutro, apesar de ter sofrido uma separação de cargas e estar, dessa forma, polarizado. O condutor A, que provoca a indução, é denominado indutor e o condutor B, que sofre indução, é denominado induzido. Na fase de eletrização ligamos, através de um fio condutor (fio terra), qualquer ponto do condutor B (induzido) à Terra e observamos que ocorrerá novamente movimento ordenado de elétrons livres, pois entre esse ponto do condutor B (VB 0) e a Terra (V = 0) haverá uma diferença de potencial elétrico (ddp), até que seja novamente atingido o equilíbrio eletrostático, ou seja, até que o potencial elétrico de B se iguale ao da Terra.

Apesar de agora o condutor B ter ficado eletrizado negativamente, pois recebeu elétrons da Terra, não podemos afastar o condutor A ainda. Devido ao excesso de cargas negativas em B, se o fizéssemos, seu potencial elétrico ficaria negativo e todos os elétrons livres recebidos da Terra retornariam a ela até que o potencial de B se anulasse e, dessa forma, ele retornaria à situação inicial (eletricamente neutro). Desfazendo a ligação com a Terra ainda na presença do condutor A (indutor), e em seguida afastando-o, o condutor B (induzido) estará agora eletrizado negativamente.

Ao final do processo, o induzido sempre se eletriza com carga de sinal contrário ao da carga do indutor.

2. Indução Total

Um caso particular de indução ocorre quando todas as linhas de força estão unidas ao indutor e ao induzido. Nesse caso dizemos que a indução é total e a carga induzida é igual, em quantidade, à carga indutora. A figura representa um condutor A, eletrizado, que foi colocado no interior de um outro condutor oco B, eletricamente neutro. Todas as linhas de força do indutor A estão unidas ao induzido B e sendo –Q a carga elétrica de A , as cargas induzidas em B serão +Q e –Q.

2. Condutor Neutro Sofrendo Atração Eletrostática

É possível um condutor A, eletricamente neutro, sofrer atração eletrostática devido à indução eletrostática.

O condutor B da figura induz uma separação de cargas no condutor neutro A, ficando, dessa forma, as cargas de sinais contrários mais próximas entre si do que as cargas de mesmo sinal, ou seja, a distância d1 entre as cargas de sinais contrários é menor que a distância d2 entre as cargas de mesmo sinal.

Pela Lei de Coulomb concluímos que a força de atração tem intensidade maior que a força de repulsão e o condutor A, mesmo estndo eletricamente neutro, é atraído por B.

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